Breves pensares

Por paulohenrique

Olhando ao nosso redor, muitas vezes somos cercados por uma neblina que confunde o nosso pensar. Bem, esse é meu caso nesse momento.

Quando estou com dor de cabeça, sempre tento a manter o humor: solicito uma Dipirona à técnica de enfermagem e digo que estou com cefaleia de cabeça. As piadas continuam: ela pergunta se a cefaleia, sinônimo de dor de cabeça, não é de ouvido ou de pé.

Mesmo assim estou bem –somente este pequeno detalhe me lembra que tenho cabeça. Às vezes, não muito raramente, tenho dor no estômago: é aí que você realmente se percebe como um ser humano que, além das falhas mentais, está sujeito a crises físicas.

É difícil ver as cores quando tudo ao redor está encoberto por essa neblina que nos cerca. Às vezes, eu acordo querendo arrebentar o mundo, mas aí vem a pergunta: o que o mundo tem a ver com a minha rebeldia? Então, quando abro os olhos já durante o dia, digo para mim mesmo: “Acorde, lave o rosto e conquiste a vida.

Digo sempre uma frase em meu canal no Youtube, o “Vale Muito a Pena Viver”, que é a mais pura verdade: durante o passar das horas, existem pequenos detalhes que se transformam de maneira encantadora. Hoje por exemplo, o sol está coberto por nuvens não tão espessas e a claridade se mantém viva dentro do quarto, o que me traz lembranças marcantes durante os momentos de ociosidade –lembranças estas que imediatamente são quebradas quando aparecem as responsabilidades do dia.

Hoje, logo que acordei, mandei uma mensagem para uma grande e muito amada amiga, desejando um excelente dia e perguntando o que faríamos nessa curta semana que se iniciou com um feriado. Ontem, uma segunda-feira agradável, passei o dia na companhia de amigos e tivemos conversas cheias de assuntos interessantes, como cinema, quadrinhos, animação e até a corrida espacial americana.

Mas hoje, agora, estou aqui expressando poucas palavras, compartilhando uma sensação agradável que estou sentindo. Bem, ainda não tomei a Dipirona, mas a dor não chega a ser intensa: está branda, como pequenas pontadas na parte frontal direita do meu crânio. Minha mente é tão louca que a imagem que vem é a de um filme esquecido que assisti há muitos anos atrás, de uma cena de um cara sendo operado na cabeça. Na sala de cirurgia daquele filme antigo, penso que a dor é causada por lembranças daquelas cenas –nada a ver.

Às vezes me questiono se o que escrevo faz algum sentido, pois sinto o desejo de passar a vocês um pouco de mim. Mas quem realmente sou? Bem, meus leitores, vocês já devem estar cansados de saber que moro em um lugar incomum, meu abençoado lar, desde que tenho um ano e meio de idade. Cresci aqui em meio às dores de muitos e às enfermidades de tantos. Não foi aquele jardim de infância que toda criança merece mas, mesmo que as mesmas não mereçam viver em um lugar assim, eu me sinto protegido, me sinto amado, e apesar de eu sempre achar que não, sou respeitado.

Não posso reclamar do meu doce lar e aqui, onde minha vida toda vivi, espalharei minhas cinzas –espero que não em breve.

Mas, claro, tudo pode de alguma maneira mudar e acredito muito que isso um dia irá acontecer. Não é porque passei toda a minha vida aqui que meu destino só pode ser este. Bem, vivo em busca de coisas novas, de conquistas, vitórias e muitas delas virão até a mim. Sonho um dia conquistar um grande amor, mesmo que ele chegue deveras tarde.

Sinceramente, não tenho ideia das possibilidades que tenho. Pensando radicalmente, talvez eu não tenha esse direito, mas pode ser que não seja bem assim. Já conquistei tantas coisas e muitas delas me surpreendem.

Quando eu falava para os meus amigos o que conquistei até hoje, a sensação era a mesma do homem indo à lua. Na minha luta, tudo era tão distante que eu vivia na frustração, chorava as derrotas e, assim, dava abertura para a rebeldia.

Hoje, não sou tão assim, apesar de minhas teimosias ainda estarem bem vivas e, na ansiedade, acabo jogando tudo pelos ares, nesses ares tudo se mistura e me perco no objetivo que estava tentando alcançar.

Infelizmente cometemos injustiças nesse mundo sem nem sequer percebermos quem sai magoado. Eu mesmo fico triste com certas atitudes. Às vezes, por mais que eu incentive as pessoas a viverem suas vidas sem muita seriedade, as consequências saem fora de rumo.

De milhões de mentes do mundo, cada uma tem sua identificação e, como uma impressão digital, nenhuma é igual a outra. Certas pessoas em certos momentos compatibilizam suas ideias mas chega um momento em que, por mais que você tente dar o que outro almeja, se sente incapaz de lhe ofertar alegria.

Nas minhas primeiras paixões eu fiquei tão perdido, desolado. Eu era apenas um pedaço de carne que todos tinham que cuidar para que não estragasse. Hoje, adulto, já não sei mais o que realmente quero. Fico perdido no meu pensar e nas decisões que devo tomar. O dia passa e nem percebo que já é hora de dormir e, assim, me preparo para o descanso, na esperança de que amanhã será melhor.

Mas o melhor é o hoje, o agora, e se eu não lutar para fazer tudo que tenho que fazer, o mundo se torna mais e mais distante. Mais passos devo dar para concluir minhas etapas. Eu tenho que duramente lutar contra isso, pisar em espinhos e continuar caminhando. Momentos estes que custam o sorriso no rosto. Porém, sou bem capaz de ofertar, a quem quer que seja, um olhar amoroso e uma doce alegria.

Continuo aprendendo na vida e ela tem me mostrando que nada é dado de graça. Não que tudo tenha um preço: é você quem dá valor para que tudo aquilo que você almeja seja alcançado.

Muitas vezes a vergonha me toma o semblante, pois me julgo deveras fraco. Quando olho para trás, tudo que comecei permanece sem terminar. Parece que tudo perde o sentido, o interesse, a verdadeira razão de ser.

Mas agora quero mudar meu pensar, meu agir. Quero vencer, quero lutar. Para todos, quero deixar claro, sempre lhes ofertarei o meu melhor, o imenso amor que tenho pela vida, e continuar caminhando com cada um de vocês, que são muito importantes para mim. Vocês são as estrelas que brilham em meu céu.