Lamaçal

Por paulohenrique

Como não ter insegurança se, por mais forte que eu aperte a areia em minhas mãos, ela sai por entre os vãos? A sensação de que tudo ao meu redor vai se esvaindo é muito presente.

O medo me domina e, assim, como uma camisa de força, me encontro diante de mim mesmo. É como um pesadelo que você tenta de todas as formas acordar mas, nada muda, nada se transforma.

É mais que lógico que essa transformação que tanto busco está em mim, é mais que certo que essas mudanças que tanto quero conquistar, sou eu que tem que fazer, mas não tenho justificativas para o lamaçal que diante de mim eu criei.

O que realmente quero? Nas minhas cansáveis respostas apenas digo não sei. Agora mesmo a minha verdadeira irmã confirma o que muito temo, estou morto em vida. O que é estar morto em vida? É aí que dou a definição de um zumbi que tanto busca algo, mas, na verdade, não sabe o que seja.

Os anseios desses mortos vivos de tanto quererem cérebros vêm em mim na agonia de ir atrás da felicidade da qual quanto mais me aproximo, mais distante se torna.

Preciso urgentemente parar com isso e lutar pela vida que tanto é preciosa.

Preciso de ajuda.

Como é difícil ter que tomar certas decisões e ter o medo que lhe acompanha. No texto passado, deixo as margens do pensar de muitos, com algo que tenho que agora decidir. Tenho leitores que saboreiam de minhas palavras e na sua oportunidade me ofertam cartas deliciosamente escritas. Um desses leitores me questionou quanto ao meu texto anterior, se irei ir embora do Hospital das Clínicas. Deixo claro que o velho faz parte de minha vida, mas o novo que ele me oferta é o que me assusta.

Na verdade, quem primeiro pensou nessa mudança fui eu, e assim, segui os caminhos para que tudo possa dar certo. Mas, ao mesmo tempo que eu mesmo pensei em tal ideia é extremamente difícil se desprender do chão que muito tempo me suportou.

Sim, estou com medo. Estou com muito medo, mas, quero sim essa mudança. Nada é para sempre e, assim, o jardim se transforma a cada estação do ano. Suas flores nascem e morrem, as cores se tornam cinzas e quando menos esperamos, tudo se renova. Quero que minha vida também seja assim, mas tenho que, de qualquer forma, arrebentar essa camisa de força que me sufoca.

Me encontro em desespero, me encontro na solidão, me encontro no fracasso. Três sentimentos macabros que nos destroem por dentro e que, se não prestarmos atenção, isso pode nos transformar em algo nada bom. Não tenho nem ideia do ser que posso me tornar se eu me permitir me afundar nesse lamaçal que em minha frente criei.

Não tenho justificativas para esse meu desfalecer. Todos estão certos quando apontam minhas falhas. E assim, vivo rastejando em solo lamacento, na dura batalha de conseguir dar meus passos e continuar seguindo em frente

Preciso de ajuda.

Sempre digo àqueles que me cercam, que são as estrelas que brilham em meu céu, mas, de alguma maneira, uma tempestade paira sobre mim, ofuscando as luzes que iluminam meu caminho. Às cegas sigo um caminho desconhecido, e apalpando minha frente, procuro apoio que possam me ofertar esperança.

O frio abraça o meu corpo e quase sem coragem me vejo estático em um lugar que tudo passa despercebido. As boas oportunidades eu as jogo fora e, assim, como um rio que leva as folhas caídas no outono, a vida se despede de um momento jamais vivido.

Preciso urgentemente mudar a minha vida, minha maneira de pensar, de agir, de correr, de gritar. Não posso ficar dizendo que ninguém nota as minhas lágrimas, que poucos notam a minha tristeza, que as mágoas que tenho são apenas fantasmas que me assombram, e que todos notam os meus erros. Mas, tenho a certeza de apenas uma verdade se for para eu desistir de algo, devo desistir de ser fraco, porém, isso é extremamente difícil.