Sufoco

Por paulohenrique

As vezes nos sentimos sufocados por mãos invisíveis que apertam nossa traqueia, impedindo, assim, que o ar entre em nossos pulmões. É uma sensação de aperto que consome totalmente o que somos, nos desfigurando, nos desfazendo. Não sei ao certo o que vem a ser isso, passam milhões de palavras em minha mente e somente uma se expressa mais que as demais: rejeição.

O que é ser rejeitado para alguns? Apenas que lhe virem as costas? Um mendigo vive às custas da rejeição social, do preconceito e do desamor. O racismo é uma marca da rejeição que cruelmente nos fere, como brasa quente em nossa alma.

Para muitos, não tenho motivos de expressar tal sentimento, pois realmente estou cercado de amor. Mas, será que todos estão em minha pele? Não estão. Tenho certeza até de pessoas que lendo este texto, podem dizer que sou um verdadeiro ingrato, que não valorizo os que me cercam, mas não é verdade. O amor, é o que me mantém vivo, pois como todos sabem, a vida é por demais dura, e por assim ser, muitos acordam debaixo de um peso anormal que nos impede de levantarmos e seguir em frente. Estou assim nesse momento, buscando palavras para expressar o quanto estou preso a uma camisa de força que me castiga e escraviza minha alma.

É extremamente doloroso querer vencer, e de repente você se encontra sentado em um banco de réu e olhando ao seu redor. Todos lhe acusam, e incrivelmente, quando você percebe, estes todos são apenas você. É como se você não merecesse a felicidade, a vitória a alegria.

É uma grande luta que a cada instante enfrentamos, lutamos com todas as nossas forças e, a cada passo que damos, caímos exaustos, sangramos. Nossos fluidos são sugados por entidades cruéis que nos consomem completamente. Nos tornamos cansados e por menor que sejam nossos esforços, não queremos mais caminhar. Desejamos desistir. Deitar. Dormir.

Como um pesadelo, estamos nas profundezas de um oceano de agonia. Subimos em busca de ar para respirar, mas quanto mais subimos, mais distantes se tornam o limite das águas que nos cercam. Cansados, somos levados para baixo, local onde a luz não alcança, o som não lhe chega e o frio lhe abraça.

É o que minha alma sente hoje, nesse momento, nesse infinito tempo, que parece apenas uma linha no horizonte, sem forma, sem vida.

O mais legal de tudo isso é que nada se permanece para sempre igual. Se a constância fosse real, não haveria motivo para viver, pois o tempo seria uma prisão, um infinito caminho reto que nos levaria a lugar algum.

Quero agradecer a muitos que fazem do meu caminhar o motivo de seguir em frente. Vocês são tudo para mim, e eu os quero sempre bem, e próximos.

Não me permitirei cair, desfrutar a agonia presente, que me cega em uma escuridão palpável onde vou em busca de algo que possa me tirar desse sono profundo. Nesse instante, encontro vocês, suas vozes, que me chamam para agir, e acreditar que tudo vale a pena.

Mas, neste sufoco que as vezes me cerca, se eu não me controlar, me entrego ao desespero. Isso é tão covarde da minha parte. Tenho tantas estrelas em meu céu, e lhes dar as costas seria, para mim, a mais cruel das atitudes. Tenho que ter esperança, e acreditar que um dia, esse sufoco que castiga, será vencido. Minhas forças retornarão, e assim, olhando em seus olhos, afasto suas mãos de meu pescoço. Em instantes, começo a respirar. O fantasma da discórdia, não acreditando que sou capaz, sente-se vencido, e em um grito, o expulso para longe de mim, no renascer da luz em minha alma, que aquece em mim a vontade louca de viver.”