Muros

Por paulohenrique

Nesses dias que decorreram, não houveram novidades que, de repente, eu na surpresa, pudesse compartilhar com muitos que leem meus textos.

Eu gostaria realmente de poder passar boas novas dos objetivos que ainda este ano almejo, mas, ainda é deveras cedo demais para expor tudo e assim, poder realmente começar a batalhar por aquilo que há por vir.

Tenho quase que certeza, em algum momento, de todos os textos que até o momento escrevi, deixei parágrafos sem nexo, como se alguma ideia está para surgir, e eu mesmo meio que, deixo que muitos a completem e por aí cada um tem sua própria interpretação do que acabou de ler.

Na verdade, minha intenção é sempre promover coisas boas pois, pode ser para muitos que estar deitado em uma cama em um leito de hospital seja talvez o paraíso que tanto se sonha. Sim, acreditem, já vi pessoas que, não entendendo sua visão sobre minha pessoa, acabam sugerindo uma troca de papéis, justamente por achar que vivo uma vida de marajá.

Mas, não é nada disso. Ao longo de minha vida aqui, sim, conquistei muitas coisas, desde garoto, brinquedos que me cercaram, daqueles que muitas crianças gostariam de ter, e em minha rebelde adolescência, na descoberta dos eletrônicos, vem os desejos descontroláveis de ter tudo aquilo que tem algum led aceso.

Não foi nada fácil conquistar tudo que tenho hoje. Houve época lá atrás em meu passado quando eu nada recebia, mas que eu vivia como todo filho que ergue sua mão e pede dinheiro ao seu pai. Eu tive muitos pais e a todos eles agradeço a boa educação que tive e apesar de muitas negativas, hoje, vejo o quanto foi bom ouvir certas frases tais como: veja se eu tenho filho que fica pedindo tudo assim como você? Ou então, um desses pais chegar e dizer em alto e bom tom: vocês são tratados a pão de ló. E isso, era realmente verdade, e continua sendo até hoje, mesmo diante de tantas mudanças em um prédio que até o momento vivo desde o meu um ano e meio de idade.

Domingo passado, fui transferido para um quarto, o qual passei um pouco mais de uma hora sozinho. Olhei ao redor e vi aquelas paredes brancas, a pouca luz que vinha da janela ao meu lado e pude refletir o quanto tempo estou em um lugar no qual faz parte de minha existência. Como um filme em grande velocidade, tudo se passava em questão de minutos e, de repente, tudo parece muito estranho, como se eu nunca estivesse ali.

Dá para se pensar, que vida é essa, morar dentro de um hospital, praticamente desde quando você nasceu? Sabe? Finalizei esta semana a leitura de quatro livros de uma saga que amei de paixão. Quando assisti o primeiro filme de Maze Runner, fiquei pasmo como eu me identifiquei com aquela história. Vou explicar o porquê.

O filme se passa em um futuro decadente. Um grupo de jovens vivem suas vidas cercados por um grande muro. Não se trata de um lugar pequeno e sim, imenso onde eles poderiam fazer praticamente de tudo, como se fosse uma colônia. Esse imenso muro, era como se fosse quatro imensas paredes muito altas de concretos que os cercavam de todos os lados. Cada parede desse muro tinha uma abertura e que, durante o dia, essa abertura permanecia aberta, e quando vinha a noite, o chão tremia pois as paredes estavam sendo arrastadas para que a abertura fosse fechada.

De repente, um alarme soa e todos estão atentos pois um novo garoto está por vir. Em poucos instantes, os jovens ouvem um elevador subir e quando o abrem, um garoto chamado Tomas surge, em meio ao desconhecido, onde sua mente foi apagada, permitindo assim que somente seu nome fosse lembrado.

Tomas veio para revolucionar o local, dizendo a todos que devem sair dali, que não nasceram ali e que há vida fora daqueles muros, porém, um grupo, não aceitava que a rotina fosse quebrada, pois há anos estão ali, e que mesmo estando cercados, estão seguros.

Quase chorei nas últimas palavras do quarto livro, pois além de ser uma saga que cativa intensamente, você acaba de certa maneira se envolvendo com cada personagem.

Estou cercado por um imenso muro. Durante o dia, tudo está aberto, tenho minhas coisas a fazer, meus objetivos a conquistar, e pessoas para amar. Durante a noite, eu me fecho para o mundo. Debaixo de uma coberta que me cobre por inteiro, procuro maneira confortável para dormir, de tal forma que eu me sinta protegido.

Estou cercado por um muro e desde que vim para cá, jamais passou em minha mente estar em um mundo aberto, solto aos olhares e envolto a sussurros que tantos podem lhe assustar, podem lhe causar grande medo. Medo do desconhecido.

Mas eu quero muito lutar, fazer como Tomas que encorajou todos aqueles a lutarem pelos seus sonhos, por suas vidas. Olhando assim, tudo não se passa de um romance ficção, parece que tudo é fácil, lindo e colorido. Mas não.

Essa semana, fomos chocados por ver jovens e crianças agonizando em países onde o egoísmo predomina. O muro da discórdia o cerca, tirando-lhes a esperança, o sorriso em suas faces, o amor. Anos e anos estão sendo massacrados por radicais que cegos, agem como zumbis domados pelo ódio. Esse muro um dia será destruído, para que muitos possam ter o direito de viver com dignidade.

Mas, estou cercado por um muro, estou protegido, estou tranquilo. Porém, minha vida não é só isso, sou muito mais, e sei que um dia, tudo mudará, novas responsabilidades virão, e a todas elas, serei firme em suas conquistas. Tenho sim, a vontade de mudar muita coisa, e para cada uma delas, tenho que observar com cuidado para que eu não cometa erros e não que eu não aja em vão.

Quero deixar para muitos o que sei da vida, o que ela me trás e o que tenho aprendido com ela até agora.