Pensamentos e Lembranças

Por paulohenrique

Acredito que na vida de praticamente todos, quando chegamos a certa idade, vem sempre aquele momento nostálgico em que, onde quer que estejamos, seja a luz do sol ou mesmo as gotas da chuva, nos fazem parar e ficar um tempo curtindo aquele instante que num impulso nos transforma em criança novamente.

Esse é apenas um detalhe que guardo aqui comigo, escondido, onde nesse exato momento, entre as espessas nuvens que caminham no céu, entra com extrema beleza a luz solar iluminando o ambiente e deixando tudo mais vivo e claro, nos aquece e renova a esperança.

Mas há também aqueles momentos em meio ao cinza, onde somos embalados com o barulho da chuva, que dificilmente nos permite estar realmente despertos, nos acompanhando ao lado de Morpheu –deus dos sonhos–, e que, se ficarmos ociosos por algum momento, nos sentimos embriagados a ponto de querermos uma cama para dormir.

Ouço, neste instante, o canto dos pássaros que anunciam brevemente a chegada da primavera, essa que vem nos ofertar sua beleza e encanto. O inverno parte, deixando seu adeus para aqueles a quem ele ofertou noites tranquilas de sono, mas também o sofrimento para os pobres que vivem caminhando, despojados de calor humano, como fantasmas despercebidos, deitados ao chão, sofrendo seus calafrios.

Mas, em tudo há beleza. Somos uma minúscula poeira diante desse macro universo, de tamanho imaginável. É praticamente impossível crer que sejamos os únicos nesse mecanismo astral. Em algum ponto, seja lá onde for, há sim outras vidas que, assim como nós, vivem seus meios de luta pela sobrevivência. Pode ser que exista grandes diferenças entre raças, não digo físicas e humanas, e sim de inteligência. Não creio que sejamos inferiores, pois assim como muitos têm a me ensinar, eu também tenho a vida como um prisma que poucos veem e muitos se interessam.

Lembro de momentos que vivi, olhando horas para a face iluminada da Lua, e tentando me colocar naquele lugar onde a solidão habita. Olhando ao seu redor, vejo estrelas há anos mortas, mas que em algum momento existiram.

Eu gostaria muito de ser uma pequena partícula de algo que possa viajar, navegar por estes mares estelares sem destino, apenas observando a vida e as trajetórias de cometas que passam rasantes, deixando um rastro iluminado em seu caminho. Quando de repente digo querer ser esta pequena partícula, paro e penso, pois somos bem menores do que imaginamos ser.

Neste exato momento, penso no amor, algo tão forte e belo em que há um mistério da mesma grandeza desse universo em que vivemos. Falar de amor é como uma explosão, e não temos ideia do que possa acontecer com cada pessoa, quando ouvem essa palavra. Muitos sentem falta de ouvi-la, a ponto de desacreditarem quando alguém lhe declara amor. Outros falam tão abertamente, como um jardineiro que lança semente de vida em terra fértil.

Novamente me vem à mente um momento que tive em minha vida, quando em uma cadeira de rodas, andando pelos corredores do hospital, sou aquecido pela luz do sol que vem das janelas dos quartos. Fecho meus olhos e me vejo liberto, caminhando, solto como um pássaro que plana nas mais altas nuvens, deixando de lado qualquer preocupação que venha a me derrubar.

Tenho muitos sonhos a realizar, e quero poder ter a chance de alcançar cada objetivo, para que, quando eu partir, eu sinta e tenha a certeza de que minhas lições foram concluídas, com maestria, e que essa certeza seja para muitos um lindo brilhar de uma distante estrela no céu, que em meio às adversidades, nos traga seu brilhar que aquece os nossos corações, nos dando coragem e nos permitindo viver.