Dor na Alma 2

Por paulohenrique

Muitas vezes me encontro perdido em minhas emoções e, tendo tantas coisas a fazer, não dei um passo sequer quando termina o dia.

Sabe?

Eu preciso de ajuda, e não sei por onde conseguir. Não que as coisas aqui estejam a beira de um colapso. Aqui até que está tudo bem, apesar de grandes problemas administrativos, mas isso não tem nada a ver comigo.

Uma das coisas que vejo que cada vez mais tem se acentuado é o desinteresse humano. Digo isso porque, hoje em dia, só sinto afeto de amigos. Aqui, tudo está tão mecânico. Acordo e sou cuidado, é como se houvesse um turbilhão de pessoas que te jogam para lá e para cá, como se fosse um saco de arroz ou sei lá. Quer dizer, não há interesse em saber de quem estão cuidando. É um ser humano, e não um objeto. Acredito que isso não seja apenas comigo e sim com praticamente todos, e até entre eles mesmos.

Eu não consigo mais ver o lado humano de tudo aqui, somente com os amigos. Atrevo-me a confessar que o que me faz, a cada dia, acordar e agradecer mais um dia de vida é a Eliana, minha verdadeira irmã, apesar de não ser de sangue. Se não fosse ela, dificilmente eu teria motivos para viver. Não quero deixar um ar de coitadismo, nada disso, mas estou carente disso.

Esse mundo é cruel, muito cruel. Eu não sei o que realmente as pessoas estão fazendo entre si. Só sei que me sinto ignorado, rejeitado por todos que deixam seus traumas dominarem, mas não tenho culpa dessas desgraças terem acontecido com todos. Só sei que eu quero viver, viver um pouco para mim, e não para os outros. Não sou apenas o melhor amigo ou irmão, sou muito mais do que todos veem, e mereço viver isso.

Acho que muitas vezes entro no desespero, acreditando que não viverei muito, que acabo destruindo tudo que há pela frente. Não estou mais na paciência de cada dia ter que ficar levantando castelos, pois estes são extremamente fáceis de serem destruídos, por quem quer que seja. Já lutei muito em minhas conquistas para que nenhuma de minhas palavras surtissem efeitos.

Me sinto cansado, como um soldado de armadura, de joelhos, que não consegue se levantar. De tanto querer lutar para mostrar o seu valor, e muitos lhe darem as costas, você acaba se frustrando. Não somos apenas carne. O verdadeiro valor é o que há dentro de nós. Sim, o que o mundo muitas vezes faz questão de não enxergar.

Como é horrível, a cada ato seu, de bom prazer, de um sorriso, de boas palavras serem dadas para alguém que te despreza.

Com extrema força me ergo, tentando ficar em pé, busco ignorar a gravidade das dores na alma. Sentindo o pesar em meu corpo que quase me impede de caminhar, dou meus passos duros, na oportunidade de continuar lutando por aquilo que acredito: em mim, que sou muito mais do que muitos veem.